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Mostrando postagens de Setembro, 2012

João Rosa de Castro - Adeuses

O NÔMADE
Rédea para o desejo de setembro. Lança para o monstro que entorpece. Caos para essa reza que entedia. Reza para outro caos que se anuncia.
deus@solo.com
agosto será sempre um mau augúrio. É assim que o céu acaba se insurgindo Contra as notícias que o diário encomenda. A vida se repete tão intensa: Não há quem não decore a ladainha.
Pedir licença para chegar aonde Te esperam com horário e algemas.
Rasga o chão com a força que há no âmago Para florescer e não morrer - raiz…

João Rosa de Castro - Adeuses

URBANAMENTE
Não há que ventar no laboratório urbano Nem é preciso que nas casas haja janelas, Porque na corrida contra o tempo As paisagens não são notadas. Observa-se apenas o espaço em que se cabe. O chão em que se pisa, O vão por que se passa.
Não hão de florir as árvores na primavera. Nossas narinas se atêm aos aromas do metal. Tudo é um painel repleto de botões. Laser e sensores e telas e twitters, Fazendo amor com a gente de muitas maneiras.
Não precisa mais ouvir ninguém cantar. Grava. Salva. Sintetiza. Masteriza. Mixa. E amanhece, Bebendo um drinque colorido E acariciando a pele, o peito que se oculta na penumbra.
Não precisa mais sair para ver o mar, Pois o aquário tecnicolor, ruidoso, As ondas do rádio, Os biquínis da tela, A nudez do outdoor Nos encantam, Nos guiam E nos fazem adormecer.
Não precisa mais ouvir ninguém cantar.

João Rosa de Castro - Adeuses

NA FILA
Áspera e pura, Muro de arrimo, Pentagrama pálido. Eu hei de me encontrar.
Uma morte simples e esperada Na memória de quem deixou de me amar. Alguém que mora em Netuno, De repente, se acha numa praça paulistana E quer aprender a ler os jornais Como um qualquer.
Tanto silêncio ao meu redor E eu sem poder dizer Porque a minha voz explode, Porque minha arrogância sobe No cume das outras cabeças.
Eu sempre vou desviar o meu olhar do seu!

João Rosa de Castro - Adeuses

VENENO
Aproveita o silêncio desta casa Para pensar um pensamento puro. Embora cada palavra jamais toque o leste, Chega a uma distância incomensurável.
Oculte a tensão que consumiu suas horas. Ondas sonoras dessa tarde fácil Alimentaram a alma que em você habita.
Lá vai o pombo que anuncia a chegada. Lá vai a bruxa, levando um fio. Lá vai o macho tentar uma intriga. Lá vai o medo no peito oprimido.
Aproveita a infância que às vezes surge Porque a realidade nua e crua é só caos!

João Rosa de Castro - Adeuses

VENENO
Aproveita o silêncio desta casa Para pensar um pensamento puro. Embora cada palavra jamais toque o leste, Chega a uma distância incomensurável.
Oculte a tensão que consumiu suas horas. Ondas sonoras dessa tarde fácil Alimentaram a alma que em você habita.
Lá vai o pombo que anuncia a chegada. Lá vai a bruxa, levando um fio. Lá vai o macho tentar uma intriga. Lá vai o medo no peito oprimido.
Aproveita a infância que às vezes surge Porque a realidade nua e crua é só caos!

João Rosa de Castro - Adeuses

ALGARISMOS ROMANOS
Nuvens cintilantes Pairam sobre o desatino Para que não se veja O quanto se esqueceu.
A dose exata Sempre será impossível. A menos que alguém dite. A menos que telefonem Numa hora perdida, qualquer.
Render-se, Sucumbir ao singelo caminhar entre os estranhos É uma forma eterna de aceitar a vida.
Quanto mais se aproxima da certeza, Mais distante do prazer que dá e passa.
Um corpo desenhado na memória. Um rosto que insiste em ser tocado. A praça numa tarde em seu silêncio. O mundo vai continuar o mundo.
Esse espelho não pode se negar a refletir!