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Mostrando postagens de Novembro, 2012

João Rosa de Castro - Adeuses

EXÍLIOS
Se aos poetas desferiu-se exílio ausente Pondo-os cegos, surdos-mudos do seu mundo, Quantos hoje em sua terra estão presentes Sem que possam desbravá-la em passos fundos?
Se a tortura e a barbárie de outras mentes Fez de apátridas, os anjos – tão imundos. Hoje os novos já sem deuses ou patentes Andam mui livres: num silêncio tão profundo.
Onde há flores, relva, amores que percebam Nesse desterro interno em telas, passatempo Os novos homens que sucumbem aos milhares
Senão mormente onde outros se perderam E marcaram com um pranto e um lamento Para que os novos desviassem seus olhares?…!

João Rosa de Castro - Adeuses

A LEI DO SILÊNCIO
Há lágrimas que de intensas Parecem vir de outros séculos. A dor de hoje tem remédio, A dor antiga, só mistério. Se toma o meu peito O de sentir noutro tempo É que o sentimento do mundo Transborda sem quê nem porquê!

João Rosa de Castro - Adeuses

O PARAÍSO
Nunca te darei permissão Para não mais me querer. A nossa pele se busca, Nosso olhar se harmoniza. Um de nós precisa realizar algo Que se aproxime do amor.
Um toque seu cicatrizando minha ferida Torna minha dor a grande ilusão que vivo.
Eu quero que você me encante, Quero que você me chame Para perto de você. Um sinal que me impeça de amar sozinho, Uma prova de que você me deseja até mesmo distante.
Se você for minha por muitas horas, Se você sucumbir a essa chama ardente, Eu vou lhe mostrar imagens paradisíacas E levá-la até às estrelas.

João Rosa de Castro - Adeuses

UM ADEUS
Ai como é belo e humano O desejo de morte sorrindo Como na infância inocente Que tudo faz querer.
O que o capricho ordena Em tempos de solidão É que se veja ao espelho E duvide que faz sentido Viver após ter amado. Para quê?
Depois de ter ido às estrelas. Depois de desprezar a mentira. Depois de ter sido amado E ver que a verdade é um prisma.
Só resta saber qual o lado Do mundo para observar Como se eu fosse pura atenção.
De fato é certo e nítido Buscar quanto se desconhece. Sentir o perfume que o nada Exala para encantar. Para encantar. Mas tudo que se memoriza É humanamente permeável. Não estarei aqui perdido. Adeus…