domingo, 25 de novembro de 2012

João Rosa de Castro - Adeuses

EXÍLIOS

Se aos poetas desferiu-se exílio ausente
Pondo-os cegos, surdos-mudos do seu mundo,
Quantos hoje em sua terra estão presentes
Sem que possam desbravá-la em passos fundos?

Se a tortura e a barbárie de outras mentes
Fez de apátridas, os anjos – tão imundos.
Hoje os novos já sem deuses ou patentes
Andam mui livres: num silêncio tão profundo.

Onde há flores, relva, amores que percebam
Nesse desterro interno em telas, passatempo
Os novos homens que sucumbem aos milhares

Senão mormente onde outros se perderam
E marcaram com um pranto e um lamento
Para que os novos desviassem seus olhares?…!

domingo, 18 de novembro de 2012

João Rosa de Castro - Adeuses

A LEI DO SILÊNCIO

Há lágrimas que de intensas
Parecem vir de outros séculos.
A dor de hoje tem remédio,
A dor antiga, só mistério.
Se toma o meu peito
O de sentir noutro tempo
É que o sentimento do mundo
Transborda sem quê nem porquê!

domingo, 11 de novembro de 2012

João Rosa de Castro - Adeuses

O PARAÍSO

Nunca te darei permissão
Para não mais me querer.
A nossa pele se busca,
Nosso olhar se harmoniza.
Um de nós precisa realizar algo
Que se aproxime do amor.

Um toque seu cicatrizando minha ferida
Torna minha dor a grande ilusão que vivo.

Eu quero que você me encante,
Quero que você me chame
Para perto de você.
Um sinal que me impeça de amar sozinho,
Uma prova de que você me deseja até mesmo distante.

Se você for minha por muitas horas,
Se você sucumbir a essa chama ardente,
Eu vou lhe mostrar imagens paradisíacas
E levá-la até às estrelas.

domingo, 4 de novembro de 2012

João Rosa de Castro - Adeuses

UM ADEUS

Ai como é belo e humano
O desejo de morte sorrindo
Como na infância inocente
Que tudo faz querer.

O que o capricho ordena
Em tempos de solidão
É que se veja ao espelho
E duvide que faz sentido
Viver após ter amado.
Para quê?

Depois de ter ido às estrelas.
Depois de desprezar a mentira.
Depois de ter sido amado
E ver que a verdade é um prisma.

Só resta saber qual o lado
Do mundo para observar
Como se eu fosse pura atenção.

De fato é certo e nítido
Buscar quanto se desconhece.
Sentir o perfume que o nada
Exala para encantar.
Para encantar.
Mas tudo que se memoriza
É humanamente permeável.
Não estarei aqui perdido.
Adeus…

João Rosa de Castro - Amor Grátis

FILOSOFIA TROPICAL A Mário, ares nordestinos, Ditirâmbicas brisas, revigorando a manhã. Passagem livre pelas portas bem trancadas....