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Mostrando postagens de Agosto, 2013

João Rosa de Castro - Alma Nua

AMOR AO DESTINO
Fiquei irritado com a alvura da pele de Fernanda. Ela teve horror da minha, encardida. Seus cabelos anelados me deram náusea. Ela teve nojo dos meus, sem corte definido. Achei péssima a sua dicção – sobretudo com aparelho. Péssima pra ela era a minha: clara, metálica, decisiva. Sua boca sem contorno, nem sangue nem batom, reprovei. Ela reprovou a minha, média, trágica, expressiva. A voz, de uma fragilidade clássica, era sofrível. A minha – o timbre da independência, a extensão – a desafiava. Seus olhos arqueados à fronte; felinos, acinzentados – mórbidos. Os meus, no seu olhar, um problema insolúvel, intransponível. Ela muda, ensimesmada. Eu falante incurável. Alta, acidentalmente, altamente européia. Eu na estatura tropical mesma. Em suma, tínhamos tudo para sermos felizes: Pois acabo de descrever o ódio à primeira vista Que sentimos eu e Fernanda.