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Mostrando postagens de Setembro, 2013

João Rosa de Castro - Alma Nua

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TEREZA RAQUEL
Cheirando rapé, Descendo rapel E esperando rafaéis.

João Rosa de Castro - Alma Nua

SEM MEMÓRIA
Um poema impresso na mão, Um poema diluído na água, Um poema de um verso só, Um poema que me livre do desespero Lido na noite em silêncio.
Entre os meus olhos e as letras Espalha-se o mundo, infinito mundo De mistérios e certezas.
Nietzsche morreu - antes de ser O Deus do Mundo. Mas que importa se é um deus no meu quarto?
Perdão, leitor: A verborragia é a única linguagem que resta A um sujeito desmemoriado Que acorda no meio da noite.

João Rosa de Castro - Alma Nua

A QUEDA
Tudo lembra tudo, Mas tudo há que ser esquecido. É bom reviver, renascer, reconstruir O que foi destruído E o que foi desconstruído. O grande júbilo Espalhado pelo chão Em mil e um pedaços Para que os braços E as mãos e tudo mais no corpo Possam juntá-los Num monumento novo, Tornando-os, assim, uma alegre alegria,
Uma alegria alegre.

João Rosa de Castro - Alma Nua

BJÖRK
Você sim, darling, me acalanta como uma das formas da paz. Sua voz jovial, com os sons humanos, demasiado humanos. Você me faz acreditar em futuro e beleza sem dilema, com sua coragem e desprezo pelas erupções vulcânicas; o vigor e a energia tão coloridos das suas dionisíacas viagens. Me faz sentir selvagem, primitivo, pré-historicamente livre, como se o mundo e o terror e a náusea fossem só um simulacro – mas o espírito abundante que pulsa, com a parafernália por trás do seu som, permanece intenso, de uma nobreza jamais corrompida em nenhuma revolução. Sinto girar o mundo ouvindo sua música, numa dança extraordinariamente irrestrita. Que bom que você está aqui. Sinto o seu perfume exalando pelos espaços do meu quarto e proliferando na atmosfera, depois da janela, como um sinal,  para o mundo e os olhos da verdade, de como me sinto feliz, como nunca, em quase três décadas de espera. Ridículo ficar te adulando assim, como se quisesse me igualar! Longe disso. Você é única e eu poss…

João Rosa de Castro - Alma Nua

DESEJO PERIFÉRICO Moço molhado para almas secas, Gosto de como você chuta a bola E de como contempla a aurora. Suspiro ao ver-te em metálica armadura E depois em pêlos – bermuda. Moço da periferia distante Tão perto do mais puro amor. Nobre, anseia por algo esquecido E ri a risada – langor. Ah se eu pudesse deitar-te só meu. Roçar-me ao teu peito tão seu. Ah se entre beijos, salivas e suores, Tivéssemos que esconder Do mundo o desejo latente, contente. Seríamos só você e eu.