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Mostrando postagens de Novembro, 2013

João Rosa de Castro - Alma Nua

POEMA A OGUM
Ogunhê, meu pai!
Faz faisca, faz fogo. Faz da floresta o teu jogo, Luta com gigantes felinos E arranca o metal das cavernas.
Ogunhê, meu pai!
Ouro cingindo o teu peito. A perfeição – teu semblante. Ouve o tambor que te invoca E tua razão prolifera.
Ogunhê, meu pai!
Toma lugar neste espaço. Faz dele o teu paradeiro Faz desse corpo o guerreiro
Que vem cantar sua vitória.

João Rosa de Castro - Alma Nua

O MEU ANDAR
Eu atração de neuróticos. Um com pressa de tomar o trem. Outro sonhando com milagres. Um querendo de mim prodígios Outro de mim perfeição.
Estupidamente dispersos Movem-se homens, mulheres, cachorros. Sinto-me num grande agadê. Todos livres para tudo Menos para rejeitarem a liberdade. Aonde leva este andar Sem rima com nenhuma canção? Ah vida absurda, absurda vida. Vida atávica, atávica vida: A quem pertence a existência
Quando não à jontex?

João Rosa de Castro - Alma Nua

À NISE DA SILVEIRA
Cheguei para partir logo, Voltei e revi meus discos, Chorei nessa despedida, Mantive as luzes acesas, Ninguém viu o que eu pensava, Notei o cheiro das flores, Pintei o meu desalento, Somei o pesar ao riso, Formei uma face nova, Desci daquela montanha.

João Rosa de Castro - Alma Nua

POEMA RETIRADO DA MILIONÉSIMA NOITE INSONE
Ele era verme, Foi se virando, se virando Virou lagarta, Foi se virando, se virando, Virou borboleta macho, Foi se virando, se virando, Virou pássaro, Foi se virando, se virando, Virou urso, Foi se virando, se virando, Virou macaco, Foi se virando, se virando, Virou homem, Agora se vira, se vira, se vira.