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Mostrando postagens de Setembro, 2014

João Rosa de Castro - O Sonho de Terpsícore - Com Prefácio de Carmen Liz Vieira de Souza

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RACHEL SEMPRE DESCOBRIA A SAÍDA


Rachel sempre descobria a saída Da prisão que fazia o tempo.


Libertara-se de repente enquanto pairava Sobre a nuca certa de Fabiano.


Ela levou um susto e disse “Solta!”


Eu queria estar só.


Ninguém visse que eu estava livre.


A liberdade me fazia vergonha.


Ruborizara, mas não tinha jeito.


Que sina era esta de ser feliz? Justo no meu momento Mais distante de mim mesma!



A partir dali, Rachel teve de usar disfarces para andar pelo mundo!

João Rosa de Castro - O Sonho de Terpsícore - Com Prefácio de Carmen Liz Vieira de Souza

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FLORA SEMPRE ERGUIA CESÁRIO

Eu sabia de você No alto sobre mim.

Seu suor caíra E molhara o meu rosto.


Eu sempre quisera, Mas não podia. Sua testosterona Simbolizava justamente o contrário.


Mas não, eu erguia você Para todo o mundo ver Que eu era honesta E ainda mãe E ainda quente E ainda sóbria E ainda pensava No que o mundo estava pensando Intenso.


Que força, meu “Deus”! Que coragem!


Que bailássemos as horas E iluminássemos o tempo. Que bailássemos as ruas Onde os carros passavam.


Depois de erguer Cesário Eu queria dançar com o pulso Do meu próprio coração…!

João Rosa de Castro - O Sonho de Terpsícore - Com Prefácio de Carmen Liz Vieira de Souza

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CESÁRIO SEMPRE ENCONTRAVA SEU GRANDE AMOR

Tinha muito para esconder naquela queda.


Os skinners não diriam o que eu pensava.


O meu juízo surgia no impacto Do meu peito protegido sobre o chão.


O chão que me pertencia Possuía uma fina sintaxe.


A cada ser falaria de um modo.


É por isso que nele eu rodava, pulava, era.


Tinha tanto a ocultar naquele passo Que o grande público não seria suficiente Para decidir se nele eu amava com fervor Ou odiava com o furor que contamina. Que não tentassem me salvar tantas vezes.


Eu precisava conhecer o precipício.


Familiarizar-me com os gritos de agonia.


Voltar triunfante e provar que viver enobrece.


Que não tomassem meus rodopios por prece.


Que me soltassem!


A dor podia ser uma ilusão.


A não-dor uma infinda fantasia.


Que parassem de me comparar com Sofia.


Ela era ela, eu era eu!

João Rosa de Castro - O Sonho de Terpsícore - Com Prefácio de Carmen Liz Vieira de Souza

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O ROXO DO ARCO-ÍRIS


No mercado tinha fila.


No arco-íris tinha roxo.


Na cidade tinha porcos.


No cinema caridade.


No meu pensamento ânsia.


No quintal tinha amora.


No elevador: espelho.


Na minha boca: resposta.


Na dança vira poesia.


Na poesia – a dança.


Era tudo pura heresia.


A verdade vinha truncada.


A minha pele, o meu dia Estiveram ressecados.

Ai que enjoo que sentia. Ai parecia que estava grávida.


Que tocássemos nosso sino. E víssemos se a dança a ânsia apagava. E víssemos se o pulo o tombo cansava.
E víssemos se o anjo amava a anja e nos esquecia…!