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Mostrando postagens de Outubro, 2014

João Rosa de Castro - O Sonho de Terpsícore - Com Prefácio de Carmen Liz Vieira de Souza

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FLORA ALÉM


Flora era suficientemente coração.


Lambia os ares poluídos.


Cria no progresso do caos.


Mas sabia que o que bem queria


Era algo que inda não fora inventado.


Observava a dança dos braços das rodas do trem.


Apetecia-lhe o rebolado dos andares mais severos.


Flora era suficientemente emoção.


E tinham-lhe no grupo compaixão.


Ela é que ardia com a perda de suas folhas: Notava no mundo um outono eterno. E agia fotossintética. Mantinha-se enredada em sua cadeia de flores.


Amava o mundo, Queria a vida.


Pisava sobre a Terra devagar A fim de não a desgastar.


Flora fora Capitu: Capitulava seu sexo Sem desferir gemidos falsos.


Flora não era apenas uma mulher. Exalava de seus pulmões a pura verdade, A vasta loucura, A lei dela provinha.



Flora era a lei – e não apenas uma mulher…!

João Rosa de Castro - O Sonho de Terpsícore - Com Prefácio de Carmen Liz Vieira de Souza

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A CHACOTA


Eu não precisava de fortim que me protegesse;

Não precisava de um césar que me dominasse; Nem judas que me traísse; Nem mecenas que me pagasse.
Bailava pelas ruas – espaços vazios.


Meus movimentos eram conscientes - inconscientes.


Bailava ao som de uma orquestra, de um assobio; Num silêncio sepulcral.
Era a única coisa que eu fazia de boa consciência.
E me comparavam com Sofia E ainda pensavam que eu sofria.
Mas não, eu estava feliz, mesmo que sofresse.


Mesmo que qualquer Maria descesse; Mesmo que o Brasil tivesse pouco dinheiro – ou muito.



Eu não me importava com a chacota. Impunha respeito, e me respeitavam, Conquanto que eu não soubesse ou percebesse.


Eu não parava para respirar fundo. Fazia-o antes, durante e depois
Por amor de viver…!

João Rosa de Castro - O Sonho de Terpsícore - Com Prefácio de Carmen Liz Vieira de Souza

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NÚBIA NÃO SE IMPORTAVA COM O QUE DIZIAM POR AÍ

A cidade grande era grande.


Era uma cor entre cores.


Tudo guardava o passado.


O entertainment queria nome.


A ânsia era o estado alfa.
Dali para o receio, Do receio para o medo, Do medo para o pavor, Do pavor para o horror, Do horror para o terror. E nós só alegrávamos o mundo.


Eu, grávida de um avião. Não sabia se ia abortar ou parir. Não sabia se sumia ou voltava, Curtia os dias ou ficava Esperando o amor dos anjos.


Eu era a única ingênua Que falava de amor: quão efêmera.


Os homens mais raros viviam mais.


Se eu desse um pulo do céu ao inferno Mandava um beijo rápido para a Terra.
Onde eu estava? Estava em pé e parada. Andava dali e corria, Corria dali e saltava, Saltava dali e bailava
A dança do sol e da chuva!

João Rosa de Castro - O Sonho de Terpsícore - Com Prefácio de Carmen Liz Vieira de Souza

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FABIANO PODERIA SER APENAS HOMEM


Mas overman, mas houvesse quem O superasse na contemplação das nuvens…


Um pêlo do seu pé no palco fez ebó.


Fabiano também se tornara anjo.


Voava por sobre os prédios da Consolação num sábado fervido à noite.


Achara a vida enfadonha de cima.


Quantas mulheres não lhe dariam filhos!
Filho.

Ele não queria berimbau. Ele vira as luzes de natal. Apagava-as, apagava-as, apagava-as. Soprando, soprando, soprando Qual vela de aniversário.


Fabiano nascia a cada dia.


Parecia que as noites eram úteros


Úberes, úberes, úberes.


Bailava e sobrevoava o público.


O público nunca viu Fabiano Mascar chicletes escondidos por trás das asas. As asas.
As mesmas que o trouxeram dos sertões!