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Mostrando postagens de Fevereiro, 2016

João Rosa de Castro - O Cio da Pedra

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SHE PECULIAR
Adianto na minha corrente o contorno Porque para trás ficou o vivido: Para frente há mais de viver. Adiante e sempre lento, Sigo num movimento único e constante. E a diferença, preguiçosa e omissa, Entre catar feijão feio numa vil peneira E arrancar palavras da mente com a mão certeira, Seja por meio de dores, Seja defendendo amores, Sejam balas de eucalipto Ou outras de pronto chumbo, Reside na intenção que se traz no próprio peito. E quem será o outro que decifra o teu mapa? E qual será o livro que não o teu próprio Para orientar-te nesta festa cheia? É por isso que adianto na corrente o contorno e Às vezes lembro, mas o vivido esqueço.

João Rosa de Castro - O Cio da Pedra

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VITREUX
Sóbria tarde de silêncio na cidade. O esconderijo dos mais deuses Faz do céu um espetáculo de nuvens. Pensa-se em festas e cortejos. Cogita-se passeatas novas e imprevisíveis. Mas o espírito livre só é livre que solitário. Não pode manifestar-se amplo como o satélite ordena. Esconde-se do fogo eletrônico à espreita atrás das árvores. E alimenta-se assim. E perambula assim. E assim existe. Out of the spotlights produz. Com um brilho próprio. Com um jeans eterno E uma dupla volúpia na mente. Digna do mais puro e sincero abandono
Nas noites de verão.

João Rosa de Castro - O Cio da Pedra

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CAFÉ REQUENTADO
Vai até o fim da igrejinha Na estradinha do córrego. Você segue toda vida, Passa pelo cemitério E faz o sinal da cruz. A estrada começa E você caminha ela. Ela continua como indo pros bambuzais. Como passando na casa dos pretos. Vai pelo morro dos cupinzeiros a estrada longa. Segue como quem vai o morro da cachoeirinha E vai depois do morro, Vai depois do morro, Bem depois do morro. Toda a vida. Ai você vai ver a descida da boa morte. Pega o caminhozinho que começa nela à esquerda e vai até o fim. Lá no fim da boa morte tem um riacho. Atravessa a pontinha que corta. E pulando as pedras você vai ver a casa. O casebre de madeira, a choupaninha sem banheiro dentro. É lá.
É lá que ficam os computadores com placas de diamantes, chips de ouro, antenas de esmeraldas, torres de jaspe, cabos de fibra prateada, toda a rede que difunde o sistema dos sistemas, o programa dos programas e transmite os sinais que regulam o temor humano e o movimento cósmico de toda existência pulsante e de onde Deus sozin…