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Mostrando postagens de Março, 2016

João Rosa de Castro - O Cio da Pedra

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O ARCO-ÍRIS
A minha solidão desses dias Não há gracejo que contemple. Papai parte pra sempre, Mamãe parte pra longe. Eu nunca fiz um poema Com versos ou tempestades, Ou raios valendo money Ou money uma vitamina. Eu sou o estranho impar Que o teu perfume não vê A milhas e milhas distante. Eu sei a cor dos semblantes Mas cores não misturei. Ouvi as canções distintas Mas tive de esquecê-las. Por que esse Deus e Mais Deuses? Por que esse planejamento? Por que o tal casamento? Por que o porquê das crianças? As minhas vontades noturnas Nem os holofotes copiam, Eu não criei, nem busquei. Eu pouco quis, pois deixei Estar um peso nas costas. Agora eu peço: ajuda Para que eu saia de mim
Ou pise no mundo em mim mesmo.

João Rosa de Castro - O Cio da Pedra

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DIVISÃO
Sino que perde a sina. Sina que simboliza. Homem que perde a letra Para fazer a tenda. Hino que cai de cima. Rima a contar as contas. Pano de sobretudo Sobre a suburbana. Mano que esquece as minas. Carro que sai petróleo Atravessando o serrado. Isto não é poema, Carta sim é o que é isto. Vai alcançar os olhos Da grande versão distante. Onde houver senha, entenda:
Nunca te vi na fila.

João Rosa de Castro - O Cio da Pedra

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MARES
É você que eu amo em todas as estações do ano. É você que eu desejo a qualquer hora do dia. É você que me inspira em todos os traços da História. É você que eu espero nos meus momentos mais tristes. É com você que eu conto nas minhas viagens distantes. É só você que antevejo nas quatro fases da lua. É a sua beleza que exala esse perfume sutil. É a sua voz que ouço em todas as canções de amor. É a sua essência que encontro em todas as letras que escrevo.
É a sua volúpia que chega e a minha volúpia completa.

João Rosa de Castro - O Cio da Pedra

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TULIPAS
É com o corpo todo que enfrento a guerra. É vacilando entre a inocência dum menino E a frieza dum legista. O amor não pode reduzir-se A uma distante aspiração de pessoa. É preciso fatos convincentes Para erguê-lo, para preservá-lo. É preciso comunicação com a sabedoria das árvores. É preciso o risco da própria finitude Para entender este tão popular, mas desconhecido, sentimento. É com a alma toda que visito o amor. E a tragédia que espreita. E a dúvida que permeia. E a solidão que se insinua, Essas personagens não são dignas de crédito Quando o amor se manifesta Nas vísceras do homem Escolhido para amar. Aí o impulso se concretiza. Aí o impulso ganha voz.
Aí ele ganha matéria que se realiza.