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Mostrando postagens de Abril, 2016

João Rosa de Castro - O Cio da Pedra

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A CHUVA
De ter amigos distantes. De namorar no escuro. De repensar tudo afora. De terminar solidão. Eu só me lembro um pouco Para seguir ainda o tempo. Eu, minha sina e o tempo. Vai a alvorada dizer Sonhos que tem em jejum. Pois os meus sonhos tem cores Inconfessáveis e tensas. Ah, que saudade da infância. Ah, que vontade tão triste De te abraçar para sempre E te esquecer em seguida. Já atravessei tantas noites E deixei Deus curioso. E furioso o Homem. Deixa-me agora ser simples Pulso de vida constante. Deixa e não peça oferenda Pois sei de mim cada passo. Cada desejo ou renúncia. Deixa-me agora aqui simples. Ordens para mim são relíquias Que no meu coração guardo. Aprende a ser recipiente
E te direi quanto amo.

João Rosa de Castro - O Cio da Pedra

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A NEBLINA
Uma consciência. Uma atenção. Um sorriso. Uma casa. Uma perspectiva. Uma visão. Um só olhar. Uma única voz. Um singelo desejo. Um trono. Uma coroa. Uma reputação. Um juízo. Uma aquarela. Um só relógio. Um ticket. Um futuro. Uma alegria. Uma estrada. Um só destino. Um só brinquedo. Uma canção de ninar na memória. Uma infância para assistir. Uma relíquia. Um mundo só. Um horizonte apenas. Um pulso de vida. Uma promessa. Um oceano. Um barco. Uma prenda. Um [só] fôlego.
E dois filhos.

João Rosa de Castro - O Cio da Pedra

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A CHAMA
Eu não fui o seu mecânico Porque se eu tomasse um carro, (um veículo quebrado há anos), Até hoje nele eu estava Conhecendo seus metais E com as peças conversando. Eu não pude o seu doutor Que a pessoa adoentada Ainda hoje eu curaria Trataria e sarava. Uma, única, a mesma: sempre. Eu não pus a mão na massa pois nas mãos me tem espírito. Fazia viagem no trigo Faria saber a origem Da água que dava a massa E nunca mais largaria A bendita da massa. Eu não fui o seu poeta Que se eu era fazia um poema Tão longo e escandinavo Que tuas retinas cansadas Render-se-iam sem ler. Eu não fui o seu herói Que antes foi você o meu. E herói que salva herói Merece silêncio e janela. Eu não fui a sua esposa Que se sim eu dava filhos Tão altivos e belos Que tu me odiarias Por lhe fazer tão feliz. Eu não fui o seu universo Que você merece plurais E a sua veia o sangue Dos mais pios ancestrais. Eu jamais o seu soldado; Que andaria sem guerra. Sua paz é mais soberana E o infinito alcança. Eu não fui sua vergonha