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Mostrando postagens de Junho, 2016

João Rosa de Castro - O Cio da Pedra

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UMA DAS BAÍAS DA BAHIA
Porto Seguro que me recebeste para ouvir tuas águas. Tuas boas-vindas são mais do que um abraço. A distância dos mares que as balsas ligam Ainda está guardada na memória do meu olhar. Suas nuvens coloridas ao entardecer... Suas noites harmoniosas e estreladas... Seu povo feliz na passarela da orla...                                                                                   Salve. Salve.
Porto Seguro do Apaga Fogo que me deu uma pedra: Perdoa que não tive a delicadeza de deixá-la na areia. Há prendas que se não refuga. Há desejos de réveillon que se realizam. E todo caos pode-se tornar festa Quando fazemos amigos e havemos outra vez e outra vez Vista Do Mar Da Cidade Histórica Sua. Porto Seguro da Bahia-Brasil...                     
Salve. Salve.

João Rosa de Castro - O Cio da Pedra

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PAI-FIGURA
Minha terra ininterrupta tem pegadas tão sacras. Meu chão é da lisura da pele da amada. Flor-fotografia tão impressionante: Não permite tocar, olhar, colher. Deu-me meu pai uma terra. Esplendorosa herança. E disse: “é tua, tua, tua. O que imaginares tem ela. O que mais sonhares, na colina rebenta. Deixai o capital insuficiente das massas, Olvidai as fibras inteligíveis e opressoras. Tua terra é canção serena Sincero e etéreo acalanto.” Tomei minha terra nesse caminhar
E sinto-a, viva, afagar os meus pés.

João Rosa de Castro - O Cio da Pedra

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PAISAGEM PAULISTANA
Ó céu, céu da manhã, Azul tão raro deste outono infinito, Se és único alguém que me escute Por que te ocultas por trás da nuvem espessa? Por que por sobre os telhados simples Há sempre o concreto a insurgir-se? Céu, corpo onipresente desta terra insana, Ouve e vê os lábios doutro suplicante Que não sabe mais aonde levam os dias E só vê miséria pelos arredores. Monstro em pesadelo que exala odores. A nobreza incauta que nos cobra a alma Qual demônio lúcido que nos lê o pacto. Céu, azul sedento de olhar melancólico, Apontai-me um deus que seja certeiro, Uma prece, um mantra, um sorriso inteiro, Que já o desatino sem demora alcança. Céu, telefone intenso a ligar consciências, Jaze sobre o meu pranto feito lenço enxuto, Mostra-me a semente que dará seu fruto, Que essa existência pede mais um dia. Ó céu, céu do meio-dia que clareia agora E já ensaia resposta ampla. Alma onisciente a remeter olhares para o alto. E não há mais nuvens, e não há miséria. E não se vê mais decadência. Tudo ao redor e…

João Rosa de Castro - O Cio da Pedra

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VIAS MOLHADAS
Acho que vai chover no sertão e garoar na avenida. Sinto pulsar a vida que espero Nos teus olhos de amor. E se meu peito não tem mais espaço Para guardar o que sinto: Espalham-se as lágrimas de homem, E todos os meus desejos, E tudo o que vivo e sonho, Até o meu rico sorriso, Onde quer que haja nuvens De muitas cores possíveis. E a vida dará aromas, E os aromas o som.
Acho que vai chover na avenida e garoar no sertão.