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Mostrando postagens de Novembro, 2016

João Rosa de Castro - Amargo & Inútil

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O PODER DAS ESTRELAS Se eu fora com a presença encardida por trás dos olhos a exibir a verdade em que insisto ter-me-iam dito lunático. Mais um bêbado no afã de se enturmar – diriam. Aquietei-me; o pensamento vivo porém em solo andava-me por infinitos lugares do imaginário. Cartas do inconsciente em hieróglifos impossíveis. Cores misturadas – infundadas. Só via mesmo cinquenta por cento do mundo em um só bolso. A inteligência quase inteira – e  macia – num único cérebro. Um senhor gritou: “Bingo!”. Uma senhora gritou “Bingo!”. Um homem, uma moça, uma criança e até anjos gritaram “Bingo!” e “Linha!” e os demais se assustaram. Todos os premiados tornaram-se viciadíssimos em dinheiros fáceis e por mais especularam nas bolsas depois. Especularam, especularam, especularam e nunca mais produziram um só objeto; esqueceram o país em que ficava Kyoto – e o globo esquentou. Eu via tudo, via tudo e achei graça até mesmo na desgraça. Eu era um lunático com certeza. Houve quem arrancasse de si a v…

João Rosa de Castro - Amargo & Inútil

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CO2 Muito mais haverá de clandestinidade numa assinatura em chancela consular do que no meu impulso em transformar o meu universo intenso em paragem habitável. Um processador escora-se sobre a rapadura sertaneja molhada. Tapioca envolta em modem. Cambalacho à terceira idade. Todo protocolo de gabinetes presidenciais resumido a telefonemas carnavalescos. Um período inteiro de seguro desemprego, um período para pensar. Na bastilha, na praça da República, nádegas anunciam desenganos. Movem-se os anti-heróis nos anos do mundo. Bebem todo tipo de álcool. Os anti-heróis em fila longa no trânsito espalham, com os pés no metal, CO2 nas alturas. Distribuem seus pensamentos inertes através do residual sentimento de fé. Remanescentes desejos manufaturados em tempo vestem o corpo e a alma dos anti-heróis. Principal volume de marginalidade ver-se-á no olhar dalgum poeta e menor será o crime dos neobarrabazes escolhidos para casamento. E terá nossa mímica maior valor que vossa reza. E será nosso su…

João Rosa de Castro - Amargo & Inútil

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RELICÁRIO Vinte e cinco de janeiro. Longo dia. Longo dia. Manifesto é reza. Vinho é reza. Resposta na ponta da pena é reza. Não é preciso mais sacristia, batina, latim. O homem sozinho já é catedral. O homem sozinho é arranha-céu. É comércio. É praga que contamina outros homens. Rodeado de anjos, atado às correntes mercadológicas – é capital. Sua língua corta, assusta, corrói, enlouquece os mortais. Nada de brigar por um prédio. Este templo transformado em barraco. Sua briga é quase com Deus. Quer o Éden de volta. Quer a Grécia antiga. O Olimpo. Ninfas majestosas. E derrubar bastilhas escondidas num baú que dá fel e dá cidade. Esse velho, esse homem, esse moço, esse menino, esse feto, esse sêmen, esse impulso de penetração, esse desejo de vida possui um terreiro, possui um palácio, possui panteão, e voz que lembra sangue. Venta, inventa, desinventa, reinventa o mundo a cada suspiro que imprime no ar. Convida seres carentes para refletir, para pensar, para parar um pouco. Ou muito. E n…