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Mostrando postagens de Janeiro, 2017

João Rosa de Castro - Zum

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PIANO QUEBRADO
Há palavras ditas em dó. E pessoas que falam muito em coração. Substantivo concreto que ninguém visita Que ninguém adentra Que ninguém anda ou povoa. Ninguém e nenhuma pessoa.
Há detalhes explicados em dó. E planilhas falsas de orçamento Ludibriando a si mesmo. Como é árduo ser pego a esmo E tão vago para o ermitão não tão tímido Viver no ermo eixo. Tudo no formato ice. Tudo no formato light Bocas sensuais oferecendo beijos diet.
show de rock completo em dó. E fibras capilares chicoteando o espaço. Vários anjos vibrando nas guitarras e dizendo: “Saiam todos de ré!”
Há bicicletas que pedalam em dó, Marcam o chão da cidade molhada. Substantivo abstrato bicicleta Que todos carrega com dó.
Há enigmas decifrados em dó. Por falta de luz, Por falta de sol, Por falta de acústica e mãos que toquem.
E no meio do entulho
Mergulhava triste o piano com o dó de fora.

João Rosa de Castro - Zum

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VISÃO DO SOLAR
Conviver com o medo soprando tragédias ao ouvido:
Será assim viver na cidade?
Será fugindo dos bandidos fixados?
Será arte isto?
Será arte?
Ardiloso olhar na tela morna.
A traição escrita, solta.
E uma folha branca de papel me resgata!
Sinto-me no lar quando vejo o teu olhar seco e pedinte.
Afago-te e vejo o meu olhar refletido.
Será arte o que te cobre.
Será arte cada letra impressa.
Será luta com soldados alados.
Será poesia pura e emoção.

João Rosa de Castro - Zum

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PRODUÇÃO INDEPENDENTE

Isto que a imaginação compõe
E o primeiro corpo com glóbulos vermelhos escreve
Sairá nanquim, sairá cinema.
Há muito não vislumbro um horizonte convincente.
Translúcida é a certeza do chão
Não há duvida.
Irremediavelmente veremos o que há.

Isto que o engenheiro pensa
E o operário com ferramentas produz
Chegará ao porto de um pais distante
Com motorizada e insana gargalhada.
A imaginação não percebe o escárnio de além-mar.
Generosa fórmula para continuar
Compondo, escrevendo, pensando e produzindo.
O resto pertence ao tempo.

João Rosa de Castro - Amargo & Inútil

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PRENÚNCIO Nós chegamos. Depositamos nossas sacolas com propaganda de supermercados para propagar intransitivamente. Nós nos alojamos nas pensões da cidade escura. Agora, preparem-se os temerosos, que nossa presença de espírito não tem muito a perder. Eme, Esse e Tê querem terra ordinária e legítima. Não querem mais do que lhes caiba. A terra que, porém, reclamamos não é com os pés que se pisa, não a que se procura à deriva, não alguma que haja em mapa. A terra que proclamamos, a terra que prenunciamos não tem sequer pronúncia pois que não cabe ainda em boca que só se queira humana. Esse agrário recorte virtualmente cibernetificável, e material embora, não será o estapafúrdio novo mundo que vem do domínio popular sem nenhuma rubrica convincente, não será a prometida terra nova com suas pedras preciosas que desce dos céus, ainda. Vede nossos mijados enxovalhados mixados na mala com perfumes caríssimos. Vede nossa cara amarrada de quem revoluciona os arredores a cada passo ou palavra. Co…