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Mostrando postagens de Fevereiro, 2017

João Rosa de Castro - Zum

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FILTRO CERA
Quem tem de comprar, compra sem grana erudita. Quem tem de esperar, espera sem pressa de feira. Quem tem de excluir, exclui sem saber cores. Quem tem de partir, parte sem beija-flores. Quem tem de surgir, surge sem avisar antes.

Um marasmo desceu naquela sala e uma zanga. Três pétalas de flor querendo ser flor inteira.
Cleópatra, apátrida, insólita - ainda.
O que há nos hinos que não cabe na bandeira, No chão e na vida menos ainda caberá.    Ora. Bolas distraem 22 homens do modo mais humanitário Que a História já viu.
Filosofia? Religião? Ciência? Já?
Está cedo! Ainda é cedo. Ainda é cedo.
Quem tem de viver, vive sem coisa nenhuma...

João Rosa de Castro - Zum

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ANÁLISE HISTÓRICO-DISCURSIVA DO ASTEROIDE QUE SE TORNOU HABITAÇÃO DUM SOBREVIVENTE DE URSA MAIOR”
Ontem diz: “Antes morra um só homem Do que morra um povo inteiro.”
Hoje diz: “Antes morrer aos poucos Do que morrer duma só vez”
Amanhã diz: “Ai, Que preguiça!”

João Rosa de Castro - Zum

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MARIA DA ENCARNAÇÃO ISOLDA CINTRA
Ah cidade recipiente louco! Que seduzes que não as gentes? Que queres em movimento Senão o humano puro?
Ah cidade acalanto Que filas e jardins não bastam! Pois que é preciso corações de concreto. Uma flor em teu âmago E está formado o espetáculo. Desvairadamente canteiro  Que agrega romeiros E astronautas em serena gravidade.
Ah cidade vernáculo trancafiado! Que guardas em teus guardados Que não o ouro puro dos dias?
É preciso um “pare!”, é preciso um freio, É preciso um meio, é preciso olhares. Que tua água tanta, que tua grita mansa Ejacula nos ouvidos o som perdido dos mares.

João Rosa de Castro - Zum

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BUROCRACIA NO PLEIGRAUNDE
E quis ser homem sem ser reprise, E quis uma soda sem ser aquela, E quis unir sem ser barbante, E quis amar sem ser clichê, E quis um carro sem propaganda, E quis andaime sem construção, E quis ter grana sem pôr no banco, E quis ter banda sem formulários, E quis namorada sem ser aquela, E quis a serra sem cortar árvores, E quis tombar muros sem pinque-floides, E quis a mãe sem fróide ouvindo, E quis o outro sem repetir-se, E quis a morte sem vir da vida, E quis rimar sem ser poeta,
E quis ser homem – e foi reprise.