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Mostrando postagens de Junho, 2017

João Rosa de Castro - Zum

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FECUNDAÇÃO
O meu sorriso alcançou O que o germe evita. O que mais sublimar, Como ainda sublimar Se já a arte não comporta Os meus barcos, Os meus laços, Os meus passos sob a chuva?
O meu segredo incitou O que o rosto condena. Nessa antítese, Nesse meio, Nesse muro desenhado, Acredito só nas sombras, Que a ilusão dos corpos, A noção de objetos, Tiram de mim o mantra, Tiram de mim o tempo, Tiram de mim o deus.
O meu desejo escreveu O que com os olhos se apaga.

João Rosa de Castro - Zum

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NANQUIM ABERTO
Até mesmo quando o silêncio das vozes o condena Você tenta gerar sons que o absorvam. Você será o eterno salvador de si mesmo. O seu próprio perdão permite Que sua tez se fortaleça. Prova de que você, Indivíduo mediante a multidão, Se pluraliza pois que já compreende O aceno do abastado e o olhar do miserável.
Até mesmo quando o seu próprio dedo o acusa Você busca o álibi para defender-se.
Já ser uma ponte, Já ser um contraste, Já ser intermédio, Já ser a saída, Exige mais formas de como ser útil?
Um bobo da corte, Um clown periférico, Chacota de sujeitinhos – NÃO!

Sem informação, Sem religião, O R.E.M. o desperta Enquanto você dorme um sono que atinge as distâncias.
Você acaba de não mais ser insustentável.

João Rosa de Castro - Zum

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CAVERNA DE NÉON
A entrada do shopping center Tinha gente desocupada. A mente absorta nas marcas, A trempe fugindo da escola.
A pipoca do shopping center Tinha sal vindo dos mares. As lojas de roupas falantes, Os cafés em quiosques uivavam.
Namoros – vulneráveis – brilhavam No marmóreo chão. O beijo no edifício sem janela, Sem saída ou adeuses Teve sabor de fazenda. De repente, ouvia-se o som do fliperama E uma tela mostrava: Game Over.

João Rosa de Castro - Zum

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ANÔNIMOS ANÔNIMOS
Notório entusiasmo arma o circo. A menina ainda dança, ainda menina. Nunca fechei as portas de nenhum universo: Tudo fluiu sem propaganda ou compaixão. Não existe o que eu veja que não seja eu.
Armou-se um funeral para entristecer tanta alegria. Armou-se a penitência para fechar a liberdade. O mal útil e os males úteis estão ligados e a solta. Mas cabe samba no pé e forró nos quadris Que ser feliz continuamente, docemente, intensamente É o ofício dos mais deuses. O mínimo e o quieto só às vezes são felizes.
Tudo nessa vida tem medida E fica uma balança equilibrando aos ouvidos: Mais amor, mais amor, mais amor. Menos amor, menos amor, menos amor. Não existe o que eu sinta que não seja eu.