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Mostrando postagens de Julho, 2017

João Rosa de Castro - Zum

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ÍCARO
Porque aquele que se acha no final voa rápido para o começo. E relê tudo. E refaz tudo. E novamente se surpreende, Que até as paredes do labirinto Criam imagens novas no tempo. Porque o ventre da natureza Com seus tentáculos abraça o homem Sempre que ele se vê perdido. E as canções e as solidões Das multidões o acompanham embevecidas Em rimas lentas e encantadoras.
Não há pessoa que não se perca Nos arredores do além-mundo. Pois entre o silêncio do último suspiro E a sinfonia do nascimento O melhor mesmo é renascer.

João Rosa de Castro - Zum

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AVENIDA PRINCIPAL
Ontem cantaram alto E amarraram os sapatos. Hoje afetam silêncio Para induzir os mais virgens.
Ontem a tinta ia Para além da tela decente. Hoje a ilusão chega Com virtual orgasmo, Coisas intermitentes Sem odor acentuam Batidas do coração.
Se alguém aqui fosse anjo Com metálica vestimenta A mecânica asa a jato Faria voar tão alto Que o combustível acabava.
Ontem cartas rondavam E os semblantes reluziam. Hoje incomunicáveis Nós nos tornamos deuses.

João Rosa de Castro - Zum

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O DESAMOR DO PÓS-AMOR
Impedido de falar de amor, o poeta calou-se. Porque indissociáveis são o belo e o mundo. O amor da tragédia, O amor das panelas, O amor dos instrumentos, O high-tech amor, É o mesmo da menina, É o mesmo no teclado Dos pecês apaixonados.
Não arranquemos o amor do poeta. Sem o qual ele não anda, Sem o que ele não vaia, Sem amor, não surpreende. Desamando, ele desmaia.
Deixem ele e suas cores Policiais e marítimas, Tudo pra ele é infância; Tudo por ele: aventura; Tudo amor e armadilhas.
O poeta calado é relíquia; O poeta falado é ausência; O poeta de amor se alimenta; Sem ele sua alma perece.
Deixa o amor na poesia E a poesia no amor.

João Rosa de Castro - Zum

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ANDAIME
Sem achar que o papo incomoda Ou que as ondas são enfadonhas. As respostas para um impulso que rebenta Estão nas coisas que o impulso faz fazer.

João Rosa de Castro - Zum

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CARTAS NO CHÃO
Em tom de boas-vindas a vida recebeu-nos. E nosso único desejo era existirmos plenos. Cada um na sua ilusão, Cada um na sua solidão, Cada um no sossego escolhido Para que a indispensável aleluia Fosse ouvida de longe.
A dança dos andares Escrevia nas calçadas. Cada passo, um destino novo, É aonde se quer chegar: Aonde o passo imprime a ordem. É marcha, é dança é andança.
Volátil andar a jato. Portátil alma de um corpo. Notável o nosso jogo De insights lentos e tácteis.
Quanta arrumação num átimo. Quanta possibilidade houve Numa só noite de festa