domingo, 17 de setembro de 2017

João Rosa de Castro - Bis


O TEMPO

A parede diz as horas.
A parede mostra a língua.
A parede paquera.
A parede sorri alto.
A parede tem ouvidos.
A parede dá paisagens.
A parede dá conselhos.
A parede esconde o outro lado.
A parede não deixa entrar.
A parede separa um chão do outro.
A parede quer ser pra cada um
Uma mãe eterna, um pai risonho.

domingo, 10 de setembro de 2017

João Rosa de Castro - Bis


INFÂNCIA

Haverá um tipo novo de lágrima
Para essa nova gama de sentimentos.
As páginas da vida separadas por capítulos
Surpreendem os autores.
Um homem esquecido,
Um homem rejeitado claramente,
Um homem posto à margem como nunca.
Esculpe para saber-se fazendo,
Dança para notar-se existindo
E verte um sorriso forte
Para dizer que está ali.
Haverá um tipo novo de encanto
Para uma nova forma de infância.

domingo, 3 de setembro de 2017

João Rosa de Castro - Bis


O MODEM

Digitou o que disse o coração.
O modem mandou para quem não tinha coração.
O choque da ponta dos dedos
Apagou as letras do teclado.
Esta memória potente
Guardou mexericos desprezíveis
Guardou fotos e diálogos
E agora dá imagens a quem pedir.
Esta memória é indecente
Os gigabytes namoram
E ela não conta a ninguém.
Esta memória é ufana.
Derrama a lua e declama
Os bate-papos perdidos.
Sentiu o toque na tecla
E as luzes se acenderam.
A ilusão dessa tela
Reacende sorrisos.
O solitário e os ícones,
Os ícones e as tabelas,
As tabelas e os espaços em branco
Formaram um matrimônio.
O nome dela é Abigail.

João Rosa de Castro - Persona Non Grata

HABEAS CORPUS Ó Senhoras, Digam-me as horas. Hei de ir embora. Mas digam-me antes Qual rua seguir. Ó Senhoras, Digam-me as...