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Mostrando postagens de Outubro, 2013

João Rosa de Castro - Alma Nua

MUNDO FEITO A MÃO
O mundo está pronto, E e os meus sapatos. O mundo calco Ao que calço os sapatos.
A pena, o crime,
A pétala entre os dedos
Estão prontos.

A tinta que imprime Certezas e mistérios.
A arma-miséria – a sanha
E o medo do não-poder,
O dia de amor, recebendo cores
Em perfume suave,
Estão prontos.

O dia, o amor, as cores, Os destinos nas ruas e avenidas,
O suor que chega ao final do anseio,
As falas entrecruzadas.

Toda filosofia em compasso com a espécie, Com as carícias e os beijos.
E o olhar, cada vez mais perspicaz,
Mais sedento, mais curioso.
Tudo está pronto.

As rodas de amigos, A festa do Sábado,
O fora da menina,
O mar e os estalagmites,
A missa e o culto,
Prontos como nunca.

Tudo enfim está pronto no mundo, para o mundo e como o mundo. Salvo a poesia,
Tão inconclusa e infante.

João Rosa de Castro - Alma Nua

HAROLDUS, DÉCIUS, AUGUSTUS



MARIMBONDO
IMPÁVIDO
IMPÁVIDO
CAMPEÃO
IMPÁVIDO
IMPÁVIDO
COGUMELO
IMPÁVIDO
PAVÂO
NAUSEABUNDO
MORIBUNDO              PAVIOIMPÁVIDO
CARAMELO
IMPÁVIDO
IMPÁVIDO
CHAMPIGNON
IMPÁVIDO
IMPÁVIDO
CORRESPONDO

João Rosa de Castro - Alma Nua

RECOMPONDO A ALMA
A alma nua desce Como águas cristalinas, Sussurrando essa canção Nova a cada compasso.
Toda mentira que ocultei Toda verdade que esbocei Formam uma nova face Com que me vêem na rua.
A alma nua não tem preço Nem favores que agradeço Nem se liga em nenhum deus Nem botões de camafeu.
Nua: sem qualquer traje, Grátis como a natura imprime, Pura como que sempre ela, Surda, muda, cega, insensível.
A alma nua se envergonha Da multidão ao seu redor. Veste-se de vasta vegetação Com pressa, medo e gargalhadas.
A alma nua cresce Da terra até ao sol Regendo alta sinfonia Velha do começo ao fim.

João Rosa de Castro - Alma Nua

A ÉGUA DA NOITE
Acordei assustado; Com o meu susto assustei a mamãe; E com o susto dela fiquei ainda mais assustado.