domingo, 27 de outubro de 2013

João Rosa de Castro - Alma Nua


MUNDO FEITO A MÃO

O mundo está pronto,
E e os meus sapatos.
O mundo calco
Ao que calço os sapatos.
A pena, o crime,
A pétala entre os dedos
Estão prontos.

A tinta que imprime
Certezas e mistérios.
A arma-miséria – a sanha
E o medo do não-poder,
O dia de amor, recebendo cores
Em perfume suave,
Estão prontos.

O dia, o amor, as cores,
Os destinos nas ruas e avenidas,
O suor que chega ao final do anseio,
As falas entrecruzadas.

Toda filosofia em compasso com a espécie,
Com as carícias e os beijos.
E o olhar, cada vez mais perspicaz,
Mais sedento, mais curioso.
Tudo está pronto.

As rodas de amigos,
A festa do Sábado,
O fora da menina,
O mar e os estalagmites,
A missa e o culto,
Prontos como nunca.

Tudo enfim está pronto no mundo, para o mundo e como o mundo.
Salvo a poesia,
Tão inconclusa e infante.

domingo, 20 de outubro de 2013

João Rosa de Castro - Alma Nua


HAROLDUS, DÉCIUS, AUGUSTUS

 

 


MARIMBONDO


IMPÁVIDO

IMPÁVIDO

CAMPEÃO

IMPÁVIDO

IMPÁVIDO

COGUMELO

IMPÁVIDO

PAVÂO

NAUSEABUNDO

MORIBUNDO

              PAVIO

IMPÁVIDO


CARAMELO

IMPÁVIDO

IMPÁVIDO

CHAMPIGNON

IMPÁVIDO

IMPÁVIDO

CORRESPONDO

domingo, 13 de outubro de 2013

João Rosa de Castro - Alma Nua

RECOMPONDO A ALMA

A alma nua desce
Como águas cristalinas,
Sussurrando essa canção
Nova a cada compasso.

Toda mentira que ocultei
Toda verdade que esbocei
Formam uma nova face
Com que me vêem na rua.

A alma nua não tem preço
Nem favores que agradeço
Nem se liga em nenhum deus
Nem botões de camafeu.

Nua: sem qualquer traje,
Grátis como a natura imprime,
Pura como que sempre ela,
Surda, muda, cega, insensível.

A alma nua se envergonha
Da multidão ao seu redor.
Veste-se de vasta vegetação
Com pressa, medo e gargalhadas.

A alma nua cresce
Da terra até ao sol
Regendo alta sinfonia
Velha do começo ao fim.

domingo, 6 de outubro de 2013

João Rosa de Castro - Alma Nua

A ÉGUA DA NOITE

Acordei assustado;
Com o meu susto assustei a mamãe;
E com o susto dela fiquei ainda mais assustado.

João Rosa de Castro - Persona Non Grata

O DIÁRIO Anda por ruas estreitas que dão na avenida. Vê os passantes apressados esperando o sinal. Frisa que sabe onde é norte – pr...