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domingo, 13 de outubro de 2013

João Rosa de Castro - Alma Nua

RECOMPONDO A ALMA

A alma nua desce
Como águas cristalinas,
Sussurrando essa canção
Nova a cada compasso.

Toda mentira que ocultei
Toda verdade que esbocei
Formam uma nova face
Com que me vêem na rua.

A alma nua não tem preço
Nem favores que agradeço
Nem se liga em nenhum deus
Nem botões de camafeu.

Nua: sem qualquer traje,
Grátis como a natura imprime,
Pura como que sempre ela,
Surda, muda, cega, insensível.

A alma nua se envergonha
Da multidão ao seu redor.
Veste-se de vasta vegetação
Com pressa, medo e gargalhadas.

A alma nua cresce
Da terra até ao sol
Regendo alta sinfonia
Velha do começo ao fim.