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domingo, 16 de julho de 2017

João Rosa de Castro - Zum


O DESAMOR DO PÓS-AMOR


Impedido de falar de amor, o poeta calou-se.
Porque indissociáveis são o belo e o mundo.
O amor da tragédia,
O amor das panelas,
O amor dos instrumentos,
O high-tech amor,
É o mesmo da menina,
É o mesmo no teclado
Dos pecês apaixonados.

Não arranquemos o amor do poeta.
Sem o qual ele não anda,
Sem o que ele não vaia,
Sem amor, não surpreende.
Desamando, ele desmaia.

Deixem ele e suas cores
Policiais e marítimas,
Tudo pra ele é infância;
Tudo por ele: aventura;
Tudo amor e armadilhas.

O poeta calado é relíquia;
O poeta falado é ausência;
O poeta de amor se alimenta;
Sem ele sua alma perece.

Deixa o amor na poesia
E a poesia no amor.