domingo, 12 de novembro de 2017

João Rosa de Castro - Bis

BIS

A banda feminina passou pela vila.
Nenhuma rasura era permitida.
Nenhuma denúncia, nenhuma violência.
As risadas tão quentes que as moças davam.
A ponta de inveja das que não eram mais fêmeas.
As unhas pintadas de maneira festiva.
A sua intensidade, a sua natural intelectualidade.
Mulheres-maravilhas com as mãos acenando.
Mulheres-gatas – louraças, negraças, morenaças...
As malabaristas circences donas da Terra passavam.
Perfumaram as ruas com fragrâncias exóticas.
Não mostraram a bunda mais do que
A clareza das faces verdadeiras.
Não mostraram a matéria mais do que
A tepidez de suas almas ternas.
A vila ficou menos periférica
Com a passagem da banda feminina.
E elas nem sequer gritaram
Nem tampouco se venderam
Passaram sem caridade,
Sem bondade,
Sem lascívia,
Só passaram.

João Rosa de Castro - Amor Grátis

FILOSOFIA TROPICAL A Mário, ares nordestinos, Ditirâmbicas brisas, revigorando a manhã. Passagem livre pelas portas bem trancadas....