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domingo, 10 de fevereiro de 2013

João Rosa de Castro - Adeuses

POEMA DE AMOR

A máquina do metrô se apaixonou
Foi por isso que então me confessou,
Mesmo que eu não fosse confessor.
Mas ela é que achou que eu fosse honesto,
Honesto, sim, porém não sou um túmulo.
A máquina do metrô da mesma forma
Contou-me tudo para que reencontrasse
O seu amor que há muito ela não via.
Ele, dizia, é o amor por que fui feita.
Enfia-me as notas com candura.
Aperta os meus botões com uma presença,
Que me deixa assim extasiada.
As digitais do homem já conheço
E sinto o seu perfume à distância.
A máquina do metrô disse que era
Grande como as grandes mulheres:
Entre centenas de homens já sabia
Por qual deles podia enamorar-se!