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domingo, 10 de agosto de 2014

João Rosa de Castro - O Sonho de Terpsícore - Com Prefácio de Carmen Liz Vieira de Souza

                     O IOGUE

Eu, limpando o calcanhar com o nariz.



Eu, de braços e de pernas tornando-me uma festa
        Para os olhares curiosos no salão escuro.



Uma luz que me guiava naquele palco.



Eu, iogue, eu, entregue a todas as possibilidades
        De amor entre o meu corpo e o espaço sideral.



Sentia-me mais próximo da força que criava.



Um toque no assoalho com o meu tornozelo
        Tinha então mais sexo que a penetração mais profunda.



O suor denunciava o meu cansaço.



Eu sentia a liberdade pela dança.



Rodopiava e voava intencional, intencionalmente.



Manguezais, canibais, tons austrais,
        Quando me movia, era ainda ainda mais.



Detalhes e nuances só meus.
        Ninguém podia me acompanhar nesses passos.



Nenhuma pausa me congelava;



Meu coração bailava mais que eu
        E minhas vísceras e o meu sangue
        Acompanhavam o que pedia a mente.



A mão sobre o ombro esquerdo,
        A outra ao cotovelo,
        A cabeça pendendo para os lados
        E os pés regendo os avanços;
Apontava a cada impulso.

Ia abrir os meus castelos em um único espetáculo…