João Rosa de Castro - Paisagens Oníricas - Com Prefácio de Olga Maria Gonçalves


O FAVÔNIO DO OESTE
                                                                                               (À Kimberly)
Eu queria tomar um porre homérico.

Eu queria um poema ingoogolável.

Traria para a realidade todas as possibilidades dos sonhos.

Tudo seria trágico.

Tudo seria mágico.

Mas o dia, a tarde, a noite, a madrugada foram incompletos.

Eu queria um poema homérico.

E tomar um porre ingoogolável.

Fazer as pazes com todos os meus inimigos.

Deixar os amigos contrariados.

Mas isto é tão cristão.

A poesia, o álcool, os inimigos – tudo tão cristão.

Eu queria tomar um porre homérico.

Hercúleas sagas que sem ouvir se conhece.

Do homem que faz pacto com a dor.

Do homem que mente mentiras feias.

Do homem que em silêncio pensa ser pobre ou vão.

Seria um poema eclético.

Um porre extrawickipediano.

Só os deuses saberiam de suas catacumbas.

Mas o meu amor não veio,

E mais uma vez tive orgulho da minha tão sóbria solidão!

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