Marcadores

domingo, 4 de janeiro de 2015

João Rosa de Castro - Paisagens Oníricas - Com Prefácio de Olga Maria Gonçalves

PAISAGENS ONÍRICAS




O tempo parou e a prata perdeu o brilho.



Eles estão à espera, no cinema,



Os proscritos entre si – no truque.



Os outros não são proscritos porque se ligam na tela.



Eu nunca vi um deus.



Nunca vi a rainha,
O príncipe – o belo,
A fera!
Tudo se foi com o brilho da prata.



O meu bem se prepara para amanhã;
Quiçá me veja - ou não.



O meu amor é cálculo
E o meu bem detesta o cálculo.
Mata o que é bom matar – ver o sangue correr!



O meu bem entrou no meu sonho,
Me beijou ternamente
Escolheu um dos dedos para me acariciar e me acariciou.
Não dizia se gostava – se não – seu olhar estava distante.
No meu sonho – tudo no meu sonho – até seu hálito amargo,
Seu gesto tão dócil; a firmeza sua, a certeza da sua mão direita.



Tive um sonho
Tão bom que a prata perdeu o brilho
E o cinema foi proibido.



Vamos andar na Grécia – Vamos louvar Dionísio!