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domingo, 11 de setembro de 2016

João Rosa de Castro - Amargo & Inútil



SANGUE  E desciam a rua medindo com uma régua o tamanho do mundo para tarifar. Pensavam muito em como equiparar beijos a estalactites. Sondavam as prateleiras da loja do segundo andar do shopping-center da cidade de São Paulo para descobrir o que mais parecia amuleto: espadinha ou colar que só se guarda. Depois disso, Deus deu com a cabeça no vácuo ao tentar olhar para cima. Os anjos decaídos riam muito porque não havia céu para Deus todo-poderoso, todo-generoso, todo-misericordioso contemplar, embora se cansasse deveras do olhar na direção dos pés, abaixo dos quais éramos desenho distante. Uma falange de afro-descendentes irritou-se com o governo e disseram que não! que não queriam apartheid. Nem o apartheid confesso nem o do tipo incubado (et cetera et cetera et cetera). E um dos apartheids incubados era aquele prescrito nas entrelinhas das cotas federais. E terminando os afro-descendentes de ficarem nauseabundos com essa desavença, não se animaram mais para ver a cara da rua – pediram para o Italian-looking-boy dos olhos azulzinhos ir comprar um pouco de pão, e comeram no interior da casa. O governo viu que estavam certos porquanto sulfite não tem pauta, a cigana não tem casa, Patrícia não usa esmalte nem no rosto – maquiagem.  Havia coisas óbvias que explicariam como tantos afros passaram nos testes, sem cotas embora. Minha língua deu estalagmites de tanto que não falo, ao que meu coração avisou: não responde por nada a não ser bombear, bombear, bombear.