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domingo, 12 de fevereiro de 2017

João Rosa de Castro - Zum


MARIA DA ENCARNAÇÃO ISOLDA CINTRA

Ah cidade recipiente louco!
Que seduzes que não as gentes?
Que queres em movimento
Senão o humano puro?

Ah cidade acalanto
Que filas e jardins não bastam!
Pois que é preciso corações de concreto.
Uma flor em teu âmago
E está formado o espetáculo.
Desvairadamente canteiro 
Que agrega romeiros
E astronautas em serena gravidade.

Ah cidade vernáculo trancafiado!
Que guardas em teus guardados
Que não o ouro puro dos dias?

É preciso um “pare!”, é preciso um freio,
É preciso um meio, é preciso olhares.
Que tua água tanta, que tua grita mansa
Ejacula nos ouvidos o som perdido dos mares.