domingo, 13 de agosto de 2017

João Rosa de Castro - Bis


O CHAMADO

Desligue o celular,
Desligue o marca-passo.
Apague a lamparina.
Desconecte o pecê.
Feche a geladeira.
Tampe o fogão.
Deixe a pia limpa.
Porque aqui nesta sala
Não há saída de emergência.
E os seus neurônios entrarão no ócio.
Você não vai precisar de coração.
As imagens vão se projetar de sua própria cabeça.
Venha para a tela mágica.
Não existe vida sem um alimento parecido.
A fome de que padecemos
Só pode ser saciada quando reaprendemos a nos entregar.
Venha para a apoteose de um ser.
Descubra nesta viagem a nova chave do querer.
Prometa tudo e não cumpra nada – viva.
Viva o rei!
Viva o coveiro!
Viva o burguês!
Viva o pandeiro!
O camponês conhece a terra.
O poeta o papel em branco.
Você os sinais de trânsito numa cidade metálica.
Sempre conhecemos alguma coisa profundamente.
Não tema vir e venha.
Que estas imagens estão sedentas do seu olhar.

João Rosa de Castro - Persona Non Grata

O DIÁRIO Anda por ruas estreitas que dão na avenida. Vê os passantes apressados esperando o sinal. Frisa que sabe onde é norte – pr...