domingo, 14 de janeiro de 2018

João Rosa de Castro - Bis

DOIS MUNDOS E TRÊS FORÇAS

A força motriz do feijão
Deixou os robôs assustados.
Uma caminhada na praça:
Uma porção de zinco.

Por que deixar os botões de lado
Se reiniciam já os soldados?
Faz tempo que eles marcham.

Distinguir o céu e a terra.
Distinguir a paz e a guerra.
Distinguir o estar e a espera.
Distinguir o vácuo e a atmosfera.

Respirar.
Sim pra tudo?
Não!
Não pra tudo?

Sim!


Tubiro fora o único sobrevivente da diluição. Ainda estava em vias de transcrição para o computador. Eu não tinha a menor ideia de onde protegê-lo. E foi num cartório da Avenida Paulista que me disseram que eu poderia registrar. Em vez de me informarem sobre a biblioteca nacional, aproveitaram os meus míseros reais para carimbar cada página.
Eu não tinha lido o filósofo Frederico ainda. Era tão cristão. Tubiro fala, pois, dos apóstolos diante do mar. Fala em deus com veneração. São poemas coloridos, ingênuos. Não tinham a menor vivência. Qualquer criança de meses poderia ser seu autor.
Fala de aborto, de santidade, de água benta, do amor cristão, do pecado, da cruz, do amor à fortuna, da infância, de um som estrondoso no peito: tudo influência de meus pais e sua espiritualidade.
O eu-lírico parecia desejar ou querer tudo, mas não alcançava nada. É um desespero o que se desenrola no poema. Parece que a persona está sendo asfixiada e pede socorro a si mesma.
Verdadeiramente, Tubiro não é um livro que pretendo publicar, pois é a prova de quão incômodo eu era e ainda posso ser no meu fanatismo, no meu exagerado misticismo. O curioso é que aquele homem, que vivia tudo aquilo, era justamente o tipo agradável às mulheres, que me acolhiam muito bem.
Por outro lado, é o primeiro momento literário em que exponho a tecnologia (com expressões como “digitálias”, “banda Beh”, etc.) contrastada com objetos supranaturais. Outra vantagem que é mister deixar registrada no Tubiro é que, já em 1999, eu era contra a globo, e dizia-a “a madrasta”.

O seu autor,
João Rosa de Castro.

João Rosa de Castro - Persona Non Grata

O DIÁRIO Anda por ruas estreitas que dão na avenida. Vê os passantes apressados esperando o sinal. Frisa que sabe onde é norte – pr...