domingo, 11 de fevereiro de 2018

João Rosa de Castro - Bis

GOODBYE

Deixo o solar com o peito aberto 
E uma tristeza nova.
Mais uma saudade pra minha gama de saudades.
Saio pela porta como quem deixa a mulher prenhe.
Como quem vai comprar cigarros para sempre.
Sigo por esse caminho que já ando sem pensar.
Vou avisando os luzeiros que agora
Nem todo dia me verão passar.
As avenidas, os faróis, o metrô,
Anhangabaú que desço rasgando as Bandeiras,
Vendo a lua, que é a mesma em Salvador.
Enfiando o bilhete, automático como um robô.
E o solar vai ficando distante a cada noite.
E agora já lembra uma escola antiga
Que guarda eterna meu DNA nas carteiras.
Adeus, solar dos meus encantos,
Nunca mais serei teu como agora.
Nunca mais serás meu como foste.
Que a vida fica acesa e a TV deixo ligada no saguão.


CIO DA PEDRA

Com o Cio da Pedra, eu me despedia da vida em família, me despedia dos trabalhadores braçais, dos comerciantes, etc., para me dedicar às letras. Mal sabia que estava sendo mais um “Oi” do que um “Tchau” a todos eles.
A pedra faz referência às pedras de Pedro, meu falecido avô paterno: pai-de-santo, que mantinha pedras pretas enormes em seu congá, nas quais os babalorixás haviam de bater a cabeça antes de começarem as giras.
O cio indicava que a pedra (ou Pedro?) me chamava. A partir dali (início do curso de letras), eu partia para o mais distante. Como de fato parti, ainda que me mantive presente de outras formas.
O centro do livro é dividido com oito poemas dedicados aos filhos de meus pais. Cada um recebe o nome de um fenômeno natural. Assim que temos o arco-íris, a chama, a neblina, a chuva e o outono, o inverno, a primavera e o verão. Todos inspirados em cada um de nós, filhos de meus pais.
A partir deste livro, eu sempre tinha a impressão de que não teria mais tempo ou oportunidade de escrever poesia ou, muito menos, prosa. Parecia que algo ia me limitar os movimentos: quer fosse a morte, ou a dispersão total.
Mesmo assim, continuo escrevendo, traduzindo e promovendo a minha obra. Levo-a a sério como se produzisse o pão, o cuscuz ou a tapioca de cada dia ou como se destilasse a cachaça de cada noite. Não pode faltar no café da manhã nem para esquecer as inquietações.

O seu autor,
João Rosa de Castro.

João Rosa de Castro - Amor Grátis

FILOSOFIA TROPICAL A Mário, ares nordestinos, Ditirâmbicas brisas, revigorando a manhã. Passagem livre pelas portas bem trancadas....