domingo, 29 de julho de 2018

João Rosa de Castro - Amor Grátis


SAMBA-CANÇÃO

Asma contra o céu
Céu contra a asma.
Vai e vem o fôlego
Lembranças de vilas.
Será sempre uma fuga
De si mesmo e do mundo
Achar-se sem nome
Em dias de esperança.
Distribuir os monstros
Da velha História
E refrear o poeta
Que queima sua pena
Em atrito papel.
Célticos gestos
Formatos de rostos
Familiares e à parte.
Arde a saudade
Da imaginável Liberdade,
De flagrar feminil,
No monumento quase-humano,
Um homem a sentir,
Um homem a temer
Um homem a chorar.

Febre contra a chuva
Chuva contra a febre,
Que a virgem aldeia é hibérnia
E o lado tecnicolor
Do meu pensamento
Tem chaves e fechaduras rijas.
O delírio ora embala
Ora lobotomiza.
Isto que se ouve é só o eco;
A voz original é matutina
Será sempre um lamento
De quem sonhou e acorda
Para os desencontros do dia.
Ó – uma ideologia
Tomando as vísceras
E formulando as vontades.
Ó – preparam-se anjos
Para perderem suas asas,
Suarem globalizados,
Integrarem-se democraticamente.
Eita! Que as ilusões da grana
Forçam a mentir o ser honesto,
Já cansei de dizer que não presto,
Para canalizar almas.
Canto para os homens pássaros, marinhos...
Sinto para as mulheres répteis, felinas...
Festas, turmas proibidas,
Penso para que o tempo passe.
Toda verborragia é pouca
A quem fez isso com o mundo.
Não ouse perguntar “Isso, o quê?
Por entrelinhas, nenhum poeta se culpa.

Estrelinhas que oscilam no céu,
Não odeiem a Dalva, nem o sol nem lua.
As revoluções que fizerem
Vão deixar o céu horroroso.
Estrelinhas que oscilam burguesas
Sejam sempre estrelinhas,
Nunca vai se apagar
O brilho falho que ostentam
Nunca vai se apagar.

Taquicardia contra o amor
Amor contra a taquicardia.
Tudo o que fazem os arranha-céus
É se penetrarem para o orgasmo,
Querem o orgástico bigue-bangue
Na eterna mimese de “Deus”.
A farra tão passageira,
Canhestra farra a diesel
Anexa terras a farra
Que os passos nunca alcançam.
Do outro lado, um silêncio
De tardes primaveris.
Sorrisos contidos nas naves
E os sambas-canções emboloram
No fundo da gaveta dum closet.




João Rosa de Castro - Amor Grátis

FILOSOFIA TROPICAL A Mário, ares nordestinos, Ditirâmbicas brisas, revigorando a manhã. Passagem livre pelas portas bem trancadas....