João Rosa de Castro - Adeuses

BOAS INTENÇÕES

Ah se eu pudesse, por meio de uma negociação ultra-amorosa, emprestar o perfume de Helena à Jurema, tão inodora. E de Jurema tomar o entusiasmo pela vida e depositar na alma esquálida de Clarice. Clarice, mais amável e agradecida, poria em minhas mãos o seu ouro para que eu desse à Minerva tão nobre, tão esnobe, mas tão pobre. Rica ela, daria parte de sua inteligência pulsante a mim, que, como um pombo correio vestido de amarelo, depressa, depressa, entregaria à Maria. O mundo ia se ver com Maria ladina e eloquente. Ah, se eu pudesse assim dum momento anunciar, depois de resoluções extraterrenas, a transferência de um pouco da fertilidade de Maria à Francisca, que de tudo, sofresse estéril. Mãe, muito mais mãe, ela confiaria sua gratidão a mim para que eu desse à Haná. Por fim, Haná, numa explosão de amor universal repentino, dar-me-ia gratamente, todo o seu mel, para adoçar as amargas sem nome... Haja abelhas e haja mel. Ah se eu pudesse…!

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