domingo, 27 de janeiro de 2013

João Rosa de Castro - Adeuses

O CHOQUE DE AGRIPINO

Agripino, senta,
Que eu te dou vinagre.
Agripino, reza,
Que te escrevo reses.
Agripino, anda,
Que te levo aos andes.
Agripino, fala
Às flores do verde pino.
Agripino! Força!
Que te dou resposta.
Agripino, copia,
Que te sopro nuvens.
Agripino, toca o REC,
Que tua paisagem emociona.
Agripino, toca o PLAY
E vê que mundo novo criaste!

domingo, 20 de janeiro de 2013

João Rosa de Castro - Adeuses

A VIAGEM
         (a Frans Krajcberg)

Uma árvore chorou, porque não foi viajar.
Ouviu conversa das andorinhas que iam para o norte.
A árvore suplicava, lamentava, queria ir também.
Mas os pássaros não falavam a sua língua
Nem sabiam que a árvore os entendia.
Até que a árvore,
Cansada de ouvir os planos de todos à sombra,
Resolveu visitar o país que estava em si mesma.
Viveu feliz, pois nesse país tinha de tudo!

domingo, 13 de janeiro de 2013

João Rosa de Castro - Adeuses

A TORRE CENTRAL

Pili, cliri, lipi...que os teclados dizem,
Passa ouro para fora
Passam unguentos para dentro,
E vozes que não pertencem a ninguém.
Dizem coisas potencialmente secretas.
É mel o que escorre no seu queixo
É canção o que flui dos seus dedos.
Se ouvirão, se saborearão parte de você,
Verá nas manchetes da revista.
Molha-se na cachoeira dos olhares
Que tomam o espaço livre,
Para que o ócio não faça de você
O que fez com a Larissa.
Pili, cliri, lipi!...que os teclados exclamam…!

domingo, 6 de janeiro de 2013

João Rosa de Castro - Adeuses

RUA DOS RÉPTEIS
                            (a Josias)

Lá está a rua cercada,
Onde moram os répteis.
Cada família que a ocupa
Passa nas outras ruas
Com um véu de vergonha.
É tudo um passado remoto
Que num aceno se torna presente.
Um que vai para o banheiro,
Outra que vai pro Japão,
Um vai pra encruzilhada,
Outra se perde nos becos.
Não passe nessa rua cercada:
Quem vai descendo
No fim fica sem alma.
Quem passa subindo,
Na avenida cria calos.
Não pense que são casas
O que se vê depois das calçadas.
São castelos e palácios
Que se confrontam eternos
E crescem entre si.
Esqueça a rua cercada…!

João Rosa de Castro - Amor Grátis

ECCE HOMO Eis que ao sentir a vida tão intensa, O Belo avança e toma o intelecto E ao caos do mundo faz surgir um nexo Resulta-me...