Postagens

Mostrando postagens de Janeiro, 2013

João Rosa de Castro - Adeuses

O CHOQUE DE AGRIPINO
Agripino, senta, Que eu te dou vinagre. Agripino, reza, Que te escrevo reses. Agripino, anda, Que te levo aos andes. Agripino, fala Às flores do verde pino. Agripino! Força! Que te dou resposta. Agripino, copia, Que te sopro nuvens. Agripino, toca o REC, Que tua paisagem emociona. Agripino, toca o PLAY E vê que mundo novo criaste!

João Rosa de Castro - Adeuses

A VIAGEM (a Frans Krajcberg)
Uma árvore chorou, porque não foi viajar. Ouviu conversa das andorinhas que iam para o norte. A árvore suplicava, lamentava, queria ir também. Mas os pássaros não falavam a sua língua Nem sabiam que a árvore os entendia. Até que a árvore, Cansada de ouvir os planos de todos à sombra, Resolveu visitar o país que estava em si mesma. Viveu feliz, pois nesse país tinha de tudo!

João Rosa de Castro - Adeuses

A TORRE CENTRAL
Pili, cliri, lipi...que os teclados dizem, Passa ouro para fora Passam unguentos para dentro, E vozes que não pertencem a ninguém. Dizem coisas potencialmente secretas. É mel o que escorre no seu queixo É canção o que flui dos seus dedos. Se ouvirão, se saborearão parte de você, Verá nas manchetes da revista. Molha-se na cachoeira dos olhares Que tomam o espaço livre, Para que o ócio não faça de você O que fez com a Larissa. Pili, cliri, lipi!...que os teclados exclamam…!

João Rosa de Castro - Adeuses

RUA DOS RÉPTEIS (a Josias)
Lá está a rua cercada, Onde moram os répteis. Cada família que a ocupa Passa nas outras ruas Com um véu de vergonha. É tudo um passado remoto Que num aceno se torna presente. Um que vai para o banheiro, Outra que vai pro Japão, Um vai pra encruzilhada, Outra se perde nos becos. Não passe nessa rua cercada: Quem vai descendo No fim fica sem alma. Quem passa subindo, Na avenida cria calos. Não pense que são casas O que se vê depois das calçadas. São castelos e palácios Que se confrontam eternos E crescem entre si. Esqueça a rua cercada…!