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domingo, 5 de maio de 2013

João Rosa de Castro - Alma Nua


DEAD CAN DANCE

Eu posso estar completamente equivocado, mas sua música causa a impressão da morte. Eu sou muito ligado aos nomes. “Os Mortos Podem Dançar” dão a mim uma idéia de morte feliz. Não digo em relação à causa mortis, talvez isso nem importe à idéia que tenho desse nome. O que me ocorre são os efeitos da morte, isto é, a alegria que poderia surgir da grande questão de Shakespeare: “ser ou não ser”. Na verdade, ela deveria ser “morrer ou não morrer”. E o que essa decisão traz em seu interior? Dançar entre seres desconexos ou ligados. Levemente, livremente, com imponência ou orgulho. Dançar é o que podemos fazer de mais vivo. Talvez vocês tenham encontrado uma passagem fantástica para o sentido da eternidade. Na sua música, sinto o que poderia ser a situação ideal do homem que teme a morte e anseia por imortalidade. Uma esperança suprema que faz valer cada passo, cada fração de segundo, cada partícula de ar que respiramos, cada momento de pesar que vivemos. Uma religião no seu sentido mais amplo. Uma redenção para a alma mais nula, a qual em cada movimento da dança póstuma enxergará uma virtude nova que não fora percebida na vida.