João Rosa de Castro - Alma Nua


ENIGMA

Acho que aprendi com vocês uma coisa importante: desconstruir a oposição. Vocês combinam o profano com o sagrado. Mas penso haver algo barroco nisso, e mais um idealismo romântico, uns elogios infrutíferos. Por um lado é interessante. Lembra a união de Dioniso e sua realização caótica, mas feliz, e Apolo, na sua busca de formas puras, também felizes. Por outro, dá uma certa saudade de tempos imemoriais, em que não sabíamos como curar nossa dor, e assim tudo o que víamos ou sentíamos era de suma importância. É como se eu tivesse de optar entre o canto dos pássaros e o som do sintetizador. Na minha cabeça tudo parece nascer de um dilema e num dilema expirar. Vocês manifestam a dualidade da aurora ou a ambivalência do crepúsculo. Esses dois momentos do dia são dilemas naturais. Mas o que será o dia puro ou a noite pura? O que representam por serem intensos? Um negará o outro? Um ansiará pelo outro? Contemplar o vácuo, contemplar o sol ao mesmo tempo. Eis outro momento de enigma.

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