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domingo, 22 de dezembro de 2013

João Rosa de Castro - Flores do Pântano

AS FLORES DO TEMPO

As horas passam e me convidam 
No convite enigmático,
Para ser feliz.
O cigarro me cega.
O palato em nicotina
Ensombra a dança das horas.

As horas fazem a corte,
Insistem para que eu sinta
As luzes com o olhar.
O compromisso com o mundo:
Dissecá-lo,
Abrir suas vísceras,
Destrinchá-lo,
Como se eu não fosse parte dele,
Adia o beijo das horas,
Cada uma com uma finura diversa nos lábios,
Cada uma com um contorno no seio.

As horas cantam alto o futuro,
Para que eu me desenhe nele.
Mas as lembranças do passado,
A obstinação da memória,
Ensurdecem meus ouvidos para o canto,
E só faz ouvir a música que compõe a saudade,
Prazeres e dores de um tempo antigo – longínquo.

Porém as horas são eternas,
Ninfas que só pretendem
Embelezar meu universo,
Com cores, pedras preciosas e perfumes,
Imagens de uma tela perdida

Em alguma parte de mim.