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domingo, 23 de fevereiro de 2014

João Rosa de Castro - Flores do Pântano

PARA ALÉM DO SIM, DO NÃO E DO TALVEZ

Os sinos dobrarampara um chamado não atendido.
Que bom seria purificar mais uma alma.
Abrandar um pequeno e duro coração.
Vejo o que está atrás do amor
E fecho os olhos e tapo os ouvidos.
Já não cedo ao sussurro mais suave
Nem ao perfume que invade as narinas,
Convidando para os sonhos mais coloridos e primaveris.
Meu olhar corta mais fundo que uma faca
E eu nem sonhava em olhar para baixo,
Cuspindo nos medos, nos castigos efêmeros e eternos,
Nos fantasmas, nas mentiras sem arte, que paralisam seus escravos.

Os sinos dobraram
Para uma redenção desperdiçada.
O jeito é se acostumar com as pessoas aos avessos,
Escondendo arduamente a sua beleza

E guardando-a para nunca mais.