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domingo, 9 de março de 2014

João Rosa de Castro - Flores do Pântano

O ASSALTO

Tudo o que eu possuo e o quanto admiro
Eu arranquei ferozmente das garras do amor.
Tudo o que sei e o que ignoro.

O amor guarda ainda atrás de si tesouros infinitos,
Porque não é visitado por muitos.
Nós, que conhecemos seus caminhos turvos,
Que avançamos por entre seus escombros,
Pisando em ratos vivos e mortos e fétidos,
Tateando as paredes em lodo,
Tapando as narinas dos odores mais subterrâneos,
Voltamos cansados,
Mas abastecidos de coisas sublimes,
Brinquedos jamais inventados pela raça humana,
Animais que comunicam segredos inimagináveis.
Minha vida é uma fábula
E a loucura é um pesadelo passado e esquecido.

Tudo o que abandono e o quanto renego,
Eu arranquei, como um ladrão, do seio do amor.