João Rosa de Castro - Flores do Pântano

A LÂMPADA OCULTA


Ser primeiro e de todo
Pesa mais que ser visto.
Visto uma alma suja
Para ocultar seu matiz.


Nenhum sentido percebe uma alma,
Nenhum espelho lhe pode refletir.
A lentidão com que vagueia
É mais veloz do que os passos de quem corre.
E ainda os deuses lhe veem estática;
Como que no afã de paramentá-la
De armas e escudos
Para mantê-la acesa.

Qual uma lâmpada oculta
Das mãos que procuram
Apalpá-la nua,
Do olhar que busca

Engoli-la crua.

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