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sábado, 7 de junho de 2014

João Rosa de Castro - Flores do Pântano

NEPENTES
             (a Thiago Nascentes)

Tudo mesmo,
E até a tristeza,
Tem fim.

Às vezes sou chamado para uma festa
E na festa nada foi planejado,
Cada cruzar de braços ou pernas
Resulta do não saber o modo de se portar.
Na festa um olhar acena,
Uma observação inocente pode ser maldosa.
Os mares se encontram confusos
Misturando uma profusão de águas.
As crianças brincam muito a sério.
Os homens brincam empolgados.
Todos lançam fundo a sua beleza;
Falam alto em pleno céu do dia,
Até que o entardecer acalme
E a noite assuste e cale
Tudo o que havia de ser dito.
Raramente um pensamento finda,
Tudo se rompe, corrompe – termina.

Mas tudo mesmo,
E até a tristeza,
Tem fim.