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domingo, 27 de julho de 2014

João Rosa de Castro - Flores do Pântano

HOMO-SAPIENS

A sabedoria forjada na loucura disfarçada
Dos calcanhares que ajudam a acertar o passo
Faz de muitos os heróis que ainda restam.
Porque ainda há um voto
Porque ainda há a trave
Porque inda eclode o belo gol.
Não tem graça andar pela rua ao sol do inverno
Pra ver apenas o olhar disperso dos homens fracassados
E as pernas das mulheres perdidas.
As nuvens repetem o mesmo desenho de cores.
As árvores balançando com o vento
Choram a antiga ameaça.
Eu procuro a minha infância.
Procuro minha beleza,
Minha juventude,
Meu gozo.

A sabedoria agasalha os peitos e as genitálias
E a loucura com o olhar lancinante
Segue andando e rasgando os andrajos e as sobrecasacas mais caras.
A sabedoria tapa as narinas
E a loucura inspira fundo os odores das axilas
Mais perfumadas e deglute os mamilos mais tesos.

Isso é viver observando os movimentos da fauna.
A sabedoria só se apraz com o que se repete.
E a loucura é amiga de beijar
A mais bela boca
E engolir a saliva
Para nunca mais.