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domingo, 24 de agosto de 2014

João Rosa de Castro - O Sonho de Terpsícore - Com Prefácio de Carmen Liz Vieira de Souza

O DESTINO ESCRITO



Dizia: “não deixe a Flora sozinha!



Ela nos ama bastante,
Ela precisa de nós”.



Eu não entendia esse medo.



Que diferença faria

Para mim que era uma fera,

Una ou com todo o mundo.



Era a mesma bastarda de sempre.



O dedo meu da mão bailava comigo,

Meu seio bailava comigo,
Os meus olhos bailavam,

A dança não me cansava,
Nem a palavra “baila” me cansava.



Tudo ficara automático.



Eu bailava para mim mesma.



Sem o meu segredo guardado

Não sabia o que seria
De mim que pensava no mundo
Daquela maneira vazia.



Eu nunca pedia desculpas,

Pois pensava muito no dito.



Mas sabia: além do que se ouvia
Existia um destino escrito.



Do meu eu só sabia uma coisa…!