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domingo, 31 de agosto de 2014

João Rosa de Castro - O Sonho de Terpsícore - Com Prefácio de Carmen Liz Vieira de Souza

SINERGIA

Dizia: “Ei! Fala sério!”
Eu pensava que o espetáculo fosse ontem.
Ensaiara feito um louco.
Desmarcara compromissos,
Comera menos,
Dormira pouco.

Eu entendia esses rolos.
Tudo bem,
Era a vida.

Desmanchara minha matéria até aos ossos
Para ficar lento,
Aquilo de bailar pianinho
Me assustava.
Nu então era desafio.

Que falássemos todos por igual no que bailássemos.
Não era orgia, era sinergia.
As flores num jardim viviam no geral por igual.
Se uma vacilasse, as outras acompanhavam.

Que bailássemos, estava excitado,
Estava delirando – que bailássemos!