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domingo, 12 de outubro de 2014

João Rosa de Castro - O Sonho de Terpsícore - Com Prefácio de Carmen Liz Vieira de Souza

NÚBIA NÃO SE IMPORTAVA COM O QUE DIZIAM POR AÍ


A cidade grande era grande.



Era uma cor entre cores.



Tudo guardava o passado.



O entertainment queria nome.



A ânsia era o estado alfa.

Dali para o receio,
Do receio para o medo,
Do medo para o pavor,
Do pavor para o horror,
Do horror para o terror.
E nós só alegrávamos o mundo.



Eu, grávida de um avião.
Não sabia se ia abortar ou parir.
Não sabia se sumia ou voltava,
Curtia os dias ou ficava
Esperando o amor dos anjos.



Eu era a única ingênua
Que falava de amor: quão efêmera.



Os homens mais raros viviam mais.



Se eu desse um pulo do céu ao inferno
Mandava um beijo rápido para a Terra.

Onde eu estava? Estava em pé e parada.
Andava dali e corria,
Corria dali e saltava,
Saltava dali e bailava

A dança do sol e da chuva!