João Rosa de Castro - O Sonho de Terpsícore - Com Prefácio de Carmen Liz Vieira de Souza


A CHACOTA



Eu não precisava de fortim que me protegesse;


Não precisava de um césar que me dominasse;
Nem judas que me traísse;
Nem mecenas que me pagasse.

Bailava pelas ruas – espaços vazios.



Meus movimentos eram conscientes - inconscientes.



Bailava ao som de uma orquestra, de um assobio;
Num silêncio sepulcral.

Era a única coisa que eu fazia de boa consciência.

E me comparavam com Sofia
E ainda pensavam que eu sofria.

Mas não, eu estava feliz, mesmo que sofresse.



Mesmo que qualquer Maria descesse;
Mesmo que o Brasil tivesse pouco dinheiro – ou muito.




Eu não me importava com a chacota.
Impunha respeito, e me respeitavam,
Conquanto que eu não soubesse ou percebesse.



Eu não parava para respirar fundo.
Fazia-o antes, durante e depois

Por amor de viver…!

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