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domingo, 26 de outubro de 2014

João Rosa de Castro - O Sonho de Terpsícore - Com Prefácio de Carmen Liz Vieira de Souza


FLORA ALÉM



Flora era suficientemente coração.



Lambia os ares poluídos.



Cria no progresso do caos.



Mas sabia que o que bem queria



Era algo que inda não fora inventado.



Observava a dança dos braços das rodas do trem.



Apetecia-lhe o rebolado dos andares mais severos.



Flora era suficientemente emoção.



E tinham-lhe no grupo compaixão.



Ela é que ardia com a perda de suas folhas:
Notava no mundo um outono eterno.
E agia fotossintética.
Mantinha-se enredada em sua cadeia de flores.



Amava o mundo,
Queria a vida.



Pisava sobre a Terra devagar
A fim de não a desgastar.



Flora fora Capitu:
Capitulava seu sexo
Sem desferir gemidos falsos.



Flora não era apenas uma mulher.
Exalava de seus pulmões a pura verdade,
A vasta loucura,
A lei dela provinha.




Flora era a lei – e não apenas uma mulher…!