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domingo, 2 de novembro de 2014

João Rosa de Castro - O Sonho de Terpsícore - Com Prefácio de Carmen Liz Vieira de Souza


POR TRÁS DA MÁSCARA



No meu momento mais distante de mim mesma
Eu me libertava das minhas próprias amarras.


Andava pelas ruas de óculos escuros,
Por que não vissem no fundo dos meus olhos
O quanto eu era feliz.



Ai como eram longas as viagens até mim mesma.



Não tinha nada daquilo de cocaína.



Nada parecido com fuga.



Eu na verdade me amava.



Fazia um esforço sobre-humano para contemplar minha face.



Usara uma máscara tão dura que sentia saudades de mim.



Levara um susto ao me vir frente a frente.



Quantos de nós ansiávamos pela solidão?



Queríamos mesmo era andar causando
Em turmas sorridentes e fanfarronas:
Rindo das desgraças alheias nos bares.



Mas eu dançava por amor de ficar comigo mesma;
Causando nos outros algo diverso do que causavam em mim.



Eu rolava pelo palco com frêmitos;
Receando, porém, que me soubessem livre demais
E me desejassem roubar a liberdade…!