João Rosa de Castro - O Sonho de Terpsícore - Com Prefácio de Carmen Liz Vieira de Souza

O SARAPATEL DE MARIE



Nem que chova canivete,
Vou nas chuvas quaisquer umas.
Sou de alma pura água
Que enobrece com a chuva.



Movimento as articulações
A fim de que vocês se me assemelhem.


Sei que assim é que sou deus.



O joelho, o pulso – expulso os androides.
Os androides riem-se do sarapatel de Marie.
Pensam traduzir do mundo apenas o filé.
São sacerdotes perdidos por entre as ervas-finas;
Trocam tudo velho – cansam-se do olhar as mesmas coisas.



E, no entanto, bailo todo até eunuco.
Bailo néscio ou sabedouro.
Sei que a vida é mais que luta,
Sei que a outros mais que um drible,



Mas a minha é preencher os espaços e o tempo
Com pedaços do meu corpo.
Do meu corpo em pedaços.



Eu, sim, faria tudo novamente.
Mataria o meu pai tão pertinente
E deitaria com suas mulheres marotas.



Eu Cesário – tu o mais que houver.
Nada de medir que não a olho.
Olhos vistos, olho nu como o meu,
Percebem seu espírito a bailar aqui comigo…

Como bailam os ursos em alta floresta!

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