João Rosa de Castro - Paisagens Oníricas - Com Prefácio de Olga Maria Gonçalves

METEOROLOGICAMENTE




O tempo da frieza chega.



Todos calcularão seus sorrisos.



O comércio manda.



A frieza chega.



A namorada tão negra
A cada dia me abandona.



Eu coletividade de almas.



Eu condenado por mim mesmo a viver condenado.



Por quê?



Já não fumo,
Já não bebo,
Já não cuspo.



Deixo a porta escancarada.



Entram ventos, semiventos, pela janela entreaberta.



Para que viera ao mundo?



Se não posso criar, procriar, suportar sem sucumbir?



Uma porrada na lata da parede.



Uma porrada na lata do “santo”.



Doente. Muito doente.



Nunca mais aquela viagem sem rumo.



Nunca mais as carícias de mãos.



O espírito que em mim habita
Quer estrelar, quer errar – tornar-se público.



E de sorrisos calculados qualquer igreja está cheia.



A vida é séria.



Muito séria mesmo –
Mas antes a grave felicidade



Do que as alegrias de uma vida infeliz…

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