João Rosa de Castro - Paisagens Oníricas - Com Prefácio de Olga Maria Gonçalves

CABINDAS POLIÂNDRICAS




Quase sai de mim que não sou eu mesmo.



“Eles” são tantos – tantas são as vozes vorazes
Famintas e apavoradas com a miséria.



Enchem-se de certeza e repetem o mesmo: são vítimas!



Vítimas do holocausto!



Vítimas da ditadura!



Vítimas das chuvas!



Do vulcão!



Do terremoto!



De si mesmas.



Cheias de certezas
Sem uma sombra de dúvida sequer.



Pois que no mundo tudo “se parece” com alguma coisa.



E as novas vítimas sempre carregam nas mãos alguma coisa.



Nem para o poeta versejar sem uma pena.



Vítima também dos ouvidos que têm as paredes.



Este trecho de uma história ao fim
Nem parece uma ideia – impossível fazer política com este trecho de uma história de um homem dilacerado que recolhe com as horas os seus pedaços.



Dúvida a cada passo – a cada fôlego.



A cada canção que as vítimas orquestram no afã de serem comiseradas.



Quase sai de mim que não sou eu mesmo,

Mas eu guardo este “quase” entre os dentes…!

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